Na COP 30, cresceu o alerta, que já esteve em outras COPs. As crianças são as maiores vítimas da crise climática. E qual o nosso papel como adultos para deixar um futuro sustentável?
A COP 30 chega na reta final e amplia o interesse sobre as mudanças climáticas, o meio ambiente, o papel de países jovens como o Brasil que precisam desenvolver-se social e economicamente e ao mesmo tempo preservar suas riquezas naturais como a floresta amazônica. Antes de parar de ler pensando que é mais um texto sobre as resoluções da COP 30, que ocorre em Belém do Pará, continue aqui comigo.
De tudo o que li, um texto trouxe uma reflexão mais que necessária. É o texto do dr. José Luiz Setúbal no blog do Instituto Pensi, com o título COP 30 e a saúde das crianças
Em 1992, quando já havia retornado a São Paulo, houve a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro e que ficou conhecida como Rio-92, quando chefes de estado reuniram-se em uma conferência organizada pelas Nações Unidas na cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.
Naquele encontro, o debate sobre os problemas ambientais mundiais permearam a preocupação com as gerações futuras. Eu acompanho o tema ‘desenvolvimento socioeconômico-ambiental’ desde aquela conferência.
A definição de desenvolvimento sustentável, usada pela primeira vez em 1987, no Relatório Brundtland, um relatório elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada em 1983 pela Assembleia das Nações Unidas, abordava as futuras gerações e passou a nortear as ações de muitas empresas e instituições (hoje reunidas em ESG ).
Acredito ser importante relembrar o conceito desenvolvido em :
Desenvolvimento sustentável é o que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades. Significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social, econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.” |
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Há organizações sociais que lidam com crianças e que estão em Belém discutindo e defendendo as crianças, como a Fundação José Luiz Setúbal, o Unicef, o Alana, entre outras.
Cito aqui parte do texto do blog do Instituro Pensi, para refletirmos:
“Crianças e adolescentes são os mais impactados e afetados pelas mudanças climáticas, apesar de não contribuírem quase nada para a questão. Nós, como Fundação, estamos muito preocupados com isso, do ponto de vista de uma organização com a bandeira de cuidar, pensar e defender a saúde das crianças e adolescentes. Em todo o mundo, 1 bilhão de crianças estão expostas a algum tipo de risco ambiental, e 40 milhões de meninas e meninos brasileiros já têm mais de um risco climático ou ambiental, aponta o relatório do Unicef sobre os impactos da crise climática na garantia de direitos das futuras gerações”.
“Por que a floresta está cansada? | Por que o mar está bravo?| Por que o calor não para de aumentar? | Por que o ar está tão difícil de respirar?
As crianças perguntam “por quê?” o tempo todo. E, para essas perguntas, raramente encontramos respostas, mesmo sabendo que algo está errado. São as crianças que menos têm responsabilidade pela crise climática e, ainda assim, as que mais sofrem com ela.
É inerente às crianças o uso de perguntas. Lembro que meus pais tinham uma ‘santa paciência’, pois eu começava com um por quê? E a cada resposta, engatava outro…
E como você, mãe ou pai de crianças, responde nesses tempos de inundações, tornados e outros efeitos climáticos do aquecimento do planeta?
Observo pelos meus sobrinhos-netos (meninas e meninos) que o questionamento se intensifica a cada dez anos. Se os que estão com 24 anos já enfrentam as agruras da vida adulta, os que chegam aos 10 anos preocupam-se com a origem dos alimentos, evitam desperdícios e reciclam tudo o que podem. Aprendo com eles o que pode ser feito por nós e reflito sobre como podemos ser mais criativos ao questionarmos os representantes da sociedade no Executivo e no Legislativo.
Afinal, a cada tragédia ambiental como tornados, chuvas torrenciais, secas sem-fim, as crianças são as mais afetadas – perdem casa, escola, em alguns casos, ficam sem os pais e podem perder a formação escolar. Segundo o texto do dr. José Luiz, “essas questões podem ter impactos de longo prazo, não é só no presente. São interrupções grandes na vida de uma criança e com impactos traumáticos. Isso alimenta um ciclo também vicioso de pobreza multidimensional, deixando sempre as mesmas crianças fora do jogo e das oportunidades de avançar como cidadãos produtivos e saudáveis na sociedade”.
Acredito que onde houver infância, há esperança. Entretanto, cabe a nós, adultos – sejam jovens ou seniores – fazer o nosso papel. Não somos ministros nem embaixadores, mas podemos, sim, contribuir para deixar um planeta um pouco melhor para as futuras gerações. Então, fica a reflexão no apagar das luzes da COP 30:
O que temos feito para deixar um planeta melhor para as futuras gerações?
Essa foto foi divulgada pela Unicef na COP 26. Em 4 de março de 2021, uma criança brinca nas enchentes de Gatumba, perto de Bujumbura, no Burundi. O país é extremamente vulnerável às mudanças climáticas e aos desastres naturais desencadeados por essas mudanças e, como um dos países mais pobres do mundo, tem poucos meios para proteger sua população.
Esperemos que os acordos assinados pelos representantes dos países em Belém, na COP 30, saiam do papel e passem para ações mais rápidas. Senão, continuaremos a ver imagens como essa e não vamos mais nos chocar.




1 Comentário
Como demoramos para acordar, não? Agora o desafio é correr atrás do prejuízo, porque evitá-lo já não dá, infelizmente. Reflexão necessária.