Construir Pontes para Melhorar a Vida

Dia de Doar reforça o compromisso com a comunidade

Grupo da REFOOD Gaia

Dia de Doar é celebrado em 28 de Novembro. Doar está relacionado a fazer o bem ao outro e indiretamente a si próprio. Em Portugal, por sugestão de um amigo, conheci o movimento REFOOD. Fundado por Hunter Halder , um americano que vive no país há muitos anos, este movimento recolhe toneladas de boa comida, evita desperdícios e alimenta pessoas que estão a passando por necessidades. Transforma a vida de quem ali faz o voluntariado, doando o seu tempo e habilidades, além de outros que se envolvem indiretamente como supermercados, restaurantes e mecenas (no Brasil, doadores financeiros). Em Portugal, existem mais de 60 núcleos. Em cada núcleo, a comida não utilizada ou vendida pelas fontes/parceiros é recolhida, famílias são alimentadas e a comunidade melhora a sua inclusão social.

 

Então, seguindo a sugestão de um amigo, visitei o site e inscrevi-me para ser voluntária. Que tal então inspirar-se neste dia especial e conhecer a Re-food Gaia Centro – um dos núcleos da REFOOD e o que fazemos lá?

 Em REFOOD Gaia Centro, existem duas simpáticas jovens que coordenam o núcleo – Sofia Pinto e Mariana Silva. Têm a colaboração de cinco coordenadores dos Pastas e dos restantes gestores que delas fazem parte: apoio comunitário (comunicação interna e externa e parcerias espontâneas), fontes (parcerias frequentes com supermercados, pastelarias, restaurantes, colégios, hospitais – onde são recolhidos os alimentos), voluntários (gestão de pessoas), beneficiários (entrevista as pessoas que se querem tornar beneficiários do projeto, faz o registo – quantas crianças e adultos, quais restrições alimentares – e cuida da gestão das entregas dos cabazes (cestas de alimentos). Por fim, mas não menos importante, o departamento de operações assegura que não falte nada no dia a dia para nós, voluntários, trabalharmos.

A economia circular é a base da REFOOD

Sofia destaca que “temos uma grande rede de suporte que nos permite continuar o nosso trabalho ao longo de todos estes anos e alimentar atualmente 65 famílias, um total de 215 pessoas em todas as semanas”. Acrescenta que existe uma lista de espera de cerca de 57 pessoas. A equipa conta com 100 voluntários. Os voluntários trabalham em turnos de duas horas, das seis da tarde à meia-noite, de terça a quinta-feira. “Às quintas-feiras, só temos das 6 horas da tarde às 10 horas da noite, porque é o último dia da semana para nós”, esclarece.

Então, tudo funciona bem. Durante a semana, a Responsável pelo meu turno, Catarina Antunes, monta a escala e partilha no grupo do WhatsApp.

Na minha primeira saída, fui aos supermercados Pingo Doce e Continente. Ali, as funcionárias das secções de pastelaria e charcutaria (onde estão os pratos prontos) terminavam o seu turno e preparavam o que seria doado. Vítor Nunes carimbou o documento com a lista de alimentos e a quantidade recebida, atestando o recebimento (necessário para o supermercado não pagar imposto sobre o que foi doado).

Na volta, separamos tudo. Doces e salgados são embalados, pesados e tudo é anotado. Por fim, tudo é colocado em dois grandes frigoríficos. A montagem e entrega é feita por voluntários de outros turnos aos beneficiados que, na maioria dos casos, vêm recolher as doações.

Sem voluntários, não haveria movimento. E sem doações financeiras para pagar as contas (luz e água têm que ser pagas todos os meses), não haveria recursos. São realizadas campanhas para angariar parceiros e mecenas para que o projeto continue a crescer de forma sustentável.

Parceiros da REFOOD em Gaia-Centro

 Na REFOOD em Gaia-Centro, o olhar para o outro é vivenciado desde o início e só cresce. Tudo começou a 16 de outubro de 2014, quando 250 pessoas juntaram-se a Hunter Halder e 12 pioneiros para marcar o nascimento do núcleo. Três anos depois, os pisos e paredes da antiga creche da empresa Coats&Clark – um edifício cedido pela Camâra Municipal de Vila Nova de Gaia a este projeto – foram limpos e pintados, e a REFOOD Gaia-Centro foi inaugurada. Após nove anos, as palavras de Sofia traduzem o sentimento dos voluntários: “é um projeto que todos nós adoramos de coração. Todos temos as nossas vidas pessoais, mas fazer parte desta história dá um brilho especial a estas vidas”.

 

No final do turno, é reconfortante sentir que fizemos a nossa parte para melhorar a comunidade.

Recentemente, assisti online à Lisbon Agriconferences 2023 que reuniu empresas, membros da Academia e autoridades de vários países europeus e outros internacionais. Foi uma atualização dos meus conhecimentos no agronegócio com foco na Europa. E ali, repetido de várias formas, constatei o que é obvio e nem sempre percebemos. Sem alimento, não há vida.

Para terminar, fica a pergunta: já doou algo neste dia especial ou pensa em doar?

Se já doou, ótimo. Está alimentado pelo sentimento de cooperação que faz a humanidade evoluir. Se ainda não doou, está na hora! Separe o que já não usa e entregue a quem precisa. Ou procure uma instituição para ajudar com as suas habilidades, boa vontade e tempo.

Garanto que não se irá arrepender. Feliz Dia de Doar!

Lena Miessva

Jornalista & Escritora & Blogger

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2 Comentários

  • Rosely Acerbi

    Exemplo de organização!sempre o lema o Bem me quer bem.

  • Vera Rastelli

    Bravo! Realmente é hora de doar!!!!
    Vc começou muito bem Lena!

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Olá, Sou Lena Miessva

Após percorrer várias estradas da vida no Brasil, Lena Miessva inicia um novo caminho em Portugal. Aprendizados nas relações humanas, na comunicação interpessoal e aprimoramento da escrita são seus focos principais nesses tempos de mudanças globais, locais e pessoais.

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