Falar de Fernando Pessoa é explorar o universo de suas personas. É mergulhar em seus poemas, ensaios e reflexões filosóficas. Mas uma faceta de Pessoa que é ainda desconhecida de muitos é ele ter sido astrólogo. E diante dessa descoberta, imaginei como seria o meu encontro com ele.
Foi em busca de verdades ocultas sobre si, o mundo e personagens históricos que Pessoa mergulhou na astrologia. As primeiras referências nesse universo astral datam de 1908, quando Pessoa tinha apenas 20 anos.
E como criatividade e talento caminharam juntos em Pessoa, ele criou mapas astrais (cartas astrológicas feitas a partir da posição dos planetas no dia e hora do nascimento e seus aspectos) para alguns de suas personas – como Álvaro de Campos e Ricardo Reis, dando uma identidade existencial completa para cada um. E foi além das estrelas, escrevendo textos e ensaios sobre astrologia, dos quais alguns só foram publicados depois de sua morte.
Por um período, Pessoa usava a astrologia para refletir e decidir sobre o destino, caráter e criação de suas personas. Considerava que a astrologia era uma lente para entender o humano e suas contradições. E viajou para outros universos, formando coleção de livros também de teosofia, ocultismo, rosacrucianismo.
Então, é curioso ver as duas faces de Pessoa – o escritor e intelectual que se tornou conhecido e estudado e o outro, um jovem místico curioso, esotérico, e estudioso do invisível. Por alguns anos, essas duas faces conviveram em harmonia, como dizia:
– “Se me sinto múltiplo, faço-me múltiplo.”
Aos 27 anos, Pessoa abandona a astrologia e guarda seus escritos e mapas, retomando a estrada do escritor moderno e racional. Mas as referências planetárias segundo a astrologia estão lá, escondidas em versos de poemas e nas características de suas personas.
Um encontro astrológico entre nós
Aproveitando a onda astrológica, vamos imaginar um encontro entre o escritor Pessoa e a pessoa que agora vos escreve , que estudou astrologia e que arrisca-se a elaborar cartas astrológicas. Isso é chamado na astrologia de sinastria, ou seja, onde as almas se encontram.
Com a ajuda da IA ( já imaginaram Pessoa descobrindo as manhas e artimanhas da inteligência artificial?), descubro que Pessoa é vôo, e eu sou chão suave. Pessoa pensa com o vento, eu penso com a terra. Ele sente com o abismo e eu sinto com o oceano.
Meu Sol em Virgem e o de Pessoa em Gémeos mostram que nos encontramos no intelecto, mas em polos distintos. Enquanto Pessoa busca possibilidades, eu procuro precisão. Entretanto, nos completamos, pois, ajudo Pessoa a enraizar o que define como múltiplo e ele me socorre em expandir o que está contido. É o encontro da escritora da clareza com o poeta da névoa (amei essa frase do auxiliar de IA).
A minha Lua em Aquário e a de Pessoa em Sagitário indicam que se convivêssemos, não sufocaríamos um ao outro. Ele traria as grandes questões do sentido, enquanto eu ponderaria sobre a grande questão do futuro e do coletivo.
Seríamos ambos dois viajantes interiores, teríamos uma conexão emocional-intelectual. Haveria química na troca de ideias, no olhar, na construção conjunta de sentido. Construiríamos uma dinâmica de “eu afino o que vibra em você”.
Em resumo, para que o leitor ou a leitora que não gostam ou não acreditam em astrologia não abandonem de vez esse post, a frase que resumiria nosso encontro seria:
Pessoa é o poeta que se fragmenta para existir. Lena é a narradora que recolhe fragmentos para dar sentido. E escreveríamos juntos e separados, como quem costura o invisível.
Em tempo: Descobri essa faceta de Fernando Pessoa ao assistir ao programa Portugal Desconhecido II do Canal História.





2 Comentários
Como sempre, fantástica!
Você escreve muito bem e deveria escrever livros.
Bjs
Gostei muito desse Post. Cada dia vc está a melhor escrever e a se conhecer! E viva Pessoa!