MUZEU abre com exposição inspirada no Maio de 1968

A exposição inaugural de longa duração do MUZEU, em Braga, com curadoria de Helena Mendes Pereira e Bernardo Pinto de Almeida, inspira-se na icónica frase “Sejamos realistas, exijamos o impossível” e estará patente (aberta) até 24 de outubro de 2027.

O Dia 25 de abril teve um gosto de arte em Braga. Com presença do presidente da República de Portugal, José Antônio Seguro, autoridades locais e nacionais e personalidades do meio artístico, as belas portas do Muzeu  – Pensamento  Arte Contemporânea DST abriram-se para mostrar em quatro andares 1500 obras de 240 artistas, entre os quais, Anselm Kiefer, Pablo Picasso, Paula Rego, Julião Sarmento.  A maioria do acervo é da coleção particular da família Teixeira, dona do grupo DST.

Para quem não conhece no Brasil, o Grupo DST (dstgroup) é um dos maiores conglomerados empresariais de Portugal e tem sua sede em Braga. Nascido na década de 1940, hoje o grupo DST tem volume de negócios superior a 700 milhões de euros, cerca de 3.800 colaboradores e opera em engenharia e construção, ambiente, telecomunicações, energias renováveis e concessões. E tem um diferencial na gestão que dá inveja a quem acompanha, como eu, o mundo corporativo. O funcionário ali é tratado como cidadão, tem aulas de filosofia durante o expediente no campus de ensino erguido nas instalações da empresa.

Página do Muzeu no face. Espaço é paragem obrigatória para quem vai a Braga.

Vamos ao Muzeu (isso mesmo, com Z para ser disruptivo)?

Instalado no antigo Tribunal Judicial de Braga, no centro histórico da cidade, foi projetado pelo arquiteto José Carvalho Araújo, e mantém o vínculo com o ambiente fabril e o pensamento filosófico da DST. As portas em bronze de José Pedro Croft, evocam memórias, como as referências à Catedral de Florença.

O projeto da exposição inaugural de longa duração do MUZEU tem como gatilho a célebre fotografia tirada por Gérard-Aimé (França,,193-2018) no contexto do Maio de 1968, a um grafiti na Pont De Neuilly com a frase “Soyez realistes, demandez l´ímpossible!” (Sejamos realistas, exijamos o impossível).  A exposição irá até 24 de outubro de 2027 e tem a curadoria de Helena Mendes Pereira e Bernardo Pinto de Almeida.

Esse espírito disruptivo e que convida à reflexão é o que senti ao percorrer as salas dos quatro pisos quando lá estive dias depois da solene abertura, tendo sido recebida por uma simpática brasileira na bilheteria que reside em Portugal há oito anos. Aliás, não é difícil encontrar seus conterrâneos em Braga, conhecida como a capital brasileira em Portugal.

Entre os vários pisos, há um espaço de exposição permanente. É o espaço Olimpo, com obras do artista alemão Anselm Kiefer, nascido em 1945. Kiefer é um dos nomes mais relevantes da cena artística contemporânea. Sua obra confronta o passado traumático alemão com o uso ode materiais como chumbo, palha, cinzas, cimento. A disposição das obras na galeria permanente contou com a colaboração do artista e de seu estúdio. Abaixo algumas obras dessa galeria.

SOL Invictus, Heliogabal, 2023
Emulsão, acrílico, óleo, goma laca, folha de ouro e sedimento de eletrólise sobre tela
Quem não tem casa agora não vai construir uma depois.
Emulsão, acrilico, óleo, goma laca sobre tela

Por que uma empresa familiar decide criar um museu?

Segundo reportagem da revista Visão, de 23 de abril passado, “o projeto surge da intenção de devolver riqueza à cidade onde nasceu Domingos da Silva Teixeira, pai de José Teixeira e fundador do Grupo DST. Entre obra e coleção, foram investidos cerca de 40 milhões de euros”. Diz ainda José Teixeira, filho do fundador e presidente do grupo DST:

– “Se, daqui a 50 anos, perguntarem ‘quem foram estes tipos?, quero que pensem que fomos os que acreditavam na importância das artes, da cultura, da filosofia e das humanidades para o desenvolvimento da economia”.

A principal missão cultural-filosófica do museu, segundo José Teixeira, é que a arte seja instrumental, que mexa com as pessoas. E vale ainda reproduzir as palavras de José Teixeira, como reflexão:

– “Eu digo sempre que um trabalhador culto é um trabalhador muito mais competitivo. E o Antônio Lobo Antunes (escritor) tem essa célebre frase de que um povo que lê nunca será um povo de escravos. Essa ideia do escravo no trabalho pode ser traduzida num trabalhador obediente. Um trabalhador que obedecer é o caos uma empresa. Eu quero um trabalhador livre”.

Na abertura do catálogo do Muzeu, há os sinais para a missão desse espaço cultural e artístico de Braga: “A arte é para ser contemplada e para nos provocar uma hipótese de entender a complexidade social que existiu num determinado tempo e que se passa no tempo presente... A arte serve para nos pôr nervosos, como refere Susan Sontag. Não para nos pôr dóceis”.

Da janela, avista-se o centro histórico. de Braga
Peter Zimmermann (DE,1956), obra Silhouette, 2003 – resina Epoxi

Inspiração convida a criar olhares

Não sei se foi o espaço, o ambiente, o espírito disruptivo que se respira no Muzeu, mas ousei criar uma imagem fotográfica a partir de duas obras ali expostas. Divertido…

Convido a criar olhares diante das obras. É, no mínimo, interessante…

Vale programar sua visita

As visitas orientadas à exposição, guiadas pela equipa do Muzeu ocorrem aos sábados, às 17:00 nos dias: 

30 de maio, 4 e 25 de julho e 24 de outubro.

As visitas guiadas às quintas-feiras ocorrem às 19:00 nos dias :

4 e 11 de junho, 16 de julho e 8 de outubro.

Para quem gosta de jazz, sob a curadoria de Hot Clube de Portugal, deve anotar: 25 de junho, 23 de julho, 13 de agosto, 23 de setembro e 29 de outubro.

E para os miúdos, há as oficinas de filosofia em 5 de julho, 9 de agosto, 20 de setembro e 11 de outubro.

Horário de funcionamento: terça-feira a domingo, das 11:00 às 19:00 e quinta-feira das 11:00 às 23:00 (com programação especial e entradas gratuitas).  

Sítio: Praça do Município, 62

Site: Muzeu

Uma das salas, com destaque para a instalação Livros, 2021, de Volker Schuttgen

Lena Miessva

Jornalista & Escritora & Blogger

Posts Anteriores

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Posts Relacionados:

  • All Post
  • Artes
  • Astrologia
  • Azulejos
  • Beleza
  • Brasil
  • Ciência
  • Curiosidade
  • Família
  • História
  • Hsitoria
  • Igreja
  • Literatura
  • Livros
  • Meio ambiente
  • Mulheres
  • Museus
  • Música
  • Não categorizado
  • Passeios
  • Porto
  • Portugal
  • Sustentabilidade
  • Viagens
  • Vida em Portugal
    •   Back
    • Lisboa
    • Ponte de Lima
    • Caldas da Rainha
    • Golegã
    • restauração florestal
    • Braga
    •   Back
    • Brasil
    •   Back
    • Brasil
    • Portugal
    •   Back
    • Minas Gerais
    • Clima
    • Mato Grosso
    •   Back
    • Ensaios

Sobre mim

Olá, Sou Lena Miessva

Após percorrer várias estradas da vida no Brasil, Lena Miessva inicia um novo caminho em Portugal. Aprendizados nas relações humanas, na comunicação interpessoal e aprimoramento da escrita são seus focos principais nesses tempos de mudanças globais, locais e pessoais.

Todos os Posts

Posts mais vistos

  • All Post
  • Artes
  • Astrologia
  • Azulejos
  • Beleza
  • Brasil
  • Ciência
  • Curiosidade
  • Família
  • História
  • Hsitoria
  • Igreja
  • Literatura
  • Livros
  • Meio ambiente
  • Mulheres
  • Museus
  • Música
  • Não categorizado
  • Passeios
  • Porto
  • Portugal
  • Sustentabilidade
  • Viagens
  • Vida em Portugal
    •   Back
    • Lisboa
    • Ponte de Lima
    • Caldas da Rainha
    • Golegã
    • restauração florestal
    • Braga
    •   Back
    • Brasil
    •   Back
    • Brasil
    • Portugal
    •   Back
    • Minas Gerais
    • Clima
    • Mato Grosso
    •   Back
    • Ensaios

Miessva Communication

Instagram

Categorias

Tags

Edit Template