Conheça a experiência de Marina Saade no Erasmus+, com intercâmbio na Estónia e Lituânia, desafios culturais, prémios académicos e uma vivência internacional transformadora.
Estudar noutro país, conhecer novas culturas e ampliar horizontes académicos e pessoais faz parte da trajetória de milhões de jovens que participam do Erasmus+, o maior programa de mobilidade estudantil da União Europeia.
Criado como uma evolução do programa Erasmus, lançado em 1987, o Erasmus+ reúne iniciativas nas áreas da educação, formação, juventude e desporto. O programa financia intercâmbios universitários, estágios internacionais, formação profissional, projetos de cooperação entre instituições de ensino, iniciativas de voluntariado e ações de inclusão social.
Embora os destinos mais procurados continuem a ser países como Espanha, França e Itália, Portugal também se destaca no mapa da mobilidade académica. Não por acaso, o Porto foi eleito “Melhor Destino Erasmus 2024” pela Erasmus Student Network, em parceria com a Comissão Europeia
Uma experiência entre dois países bálticos
Foi através do Erasmus+ que Marina Saade, de 23 anos, viveu uma experiência singular entre a Estónia e a Lituânia ao longo de 2025.
Nascida no Rio de Janeiro, Marina mudou-se com a família para Vila Nova de Gaia aos 14 anos e está a concluir a licenciatura em Criatividade e Inovação Empresarial no ISCAP – Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto.
O intercâmbio fez parte de um programa académico conjunto entre o ISCAP, a EUAS (Estonian Entrepreneurship University of Applied Sciences), na Estónia, e a VIKO (Vilniaus Kolegija – University of Applied Sciences), na Lituânia. Ao longo do ano letivo, Marina passou cerca de quatro meses em cada país.
Para muitos estudantes, o Erasmus representa uma oportunidade opcional de enriquecimento académico. No caso de Marina, a mobilidade internacional fazia parte da estrutura curricular do curso.
O que é o Erasmus+?
Uma das características mais interessantes do programa é que o estudante permanece matriculado na instituição de origem enquanto frequenta disciplinas numa universidade parceira. Além disso, recebe uma bolsa destinada a ajudar nos custos de deslocação e alojamento.
Desde a sua criação, mais de 10 milhões de pessoas já participaram em iniciativas Erasmus. Com um orçamento de cerca de 26,5 mil milhões de euros para o período 2021-2027, o programa tem como prioridades a inclusão social, a transição digital e ecológica e a participação dos jovens na vida democrática europeia.
A primeira etapa da experiência decorreu na Lituânia. Marina descreve o país como tranquilo e seguro, mas reconhece que a adaptação social exigiu algum esforço.
Segundo ela, muitos estudantes internacionais sentiram alguma dificuldade de integração e o uso do inglês fora dos ambientes académicos era menos frequente do que esperavam. Apesar disso, destaca a elevada qualidade do ensino e a organização da universidade. A rotina dividia-se entre aulas, estudos, preparação das refeições e passeios pelo centro histórico de Vilnius, uma das cidades mais bonitas do Báltico.
A convivência com estudantes locais acabou por ser limitada devido à separação entre grupos de alunos estrangeiros e nacionais. Felizmente, Marina contou com o apoio de uma amiga residente na cidade, o que facilitou a adaptação ao novo ambiente.
Projetos premiados e novas aprendizagens
A experiência académica foi marcada por importantes conquistas.
Marina e a sua equipa venceram o Creativity Camp, uma competição universitária que desafiava os participantes a desenvolver soluções para a cadeia de supermercados Lidl.
Outro trabalho vencedor foi na participação na Youth Student Conference, onde apresentou um estudo sobre os potenciais benefícios da terapia assistida por cavalos para a saúde mental da juventude lituana.
Nos momentos livres, aproveitou para explorar outras cidades da região e visitar a Suécia.
Estónia: multiculturalismo e novas amizades
A segunda fase do intercâmbio aconteceu na Estónia e apresentou desafios diferentes.
Além das exigências académicas presenciais, Marina teve de conciliar os estudos com um curso online realizado em horário português. A gestão do tempo tornou-se essencial.
Apesar da carga de trabalho, a experiência foi extremamente positiva.
“Era um país multicultural, acolhedor e com muitos estrangeiros”, recorda.
Ao contrário do que aconteceu na Lituânia, a integração social revelou-se mais fácil. Marina criou uma rotina que incluía encontros com amigos e visitas regulares a espaços culturais, como o bar Philly Joe’s Jazz Club, em Tallinn.
A localização estratégica da Estónia também permitiu conhecer outros destinos da região, incluindo Riga, na Letónia, e Helsínquia, na Finlândia.
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Muito mais do que estudar no estrangeiro
Quando se fala em Erasmus+, é comum pensar apenas na oportunidade de estudar fora. No entanto, a experiência vai muito além das salas de aula.
Aprender a viver num novo país, gerir um orçamento, comunicar em diferentes idiomas, lidar com desafios culturais e criar uma rede internacional de contactos são competências que acompanham os participantes ao longo da vida.
A história de Marina mostra que cada destino oferece experiências distintas. Algumas exigem mais capacidade de adaptação; outras proporcionam uma integração mais imediata. Em comum, fica a possibilidade de crescimento pessoal e académico que torna o Erasmus+ uma das iniciativas mais transformadoras da União Europeia.
E, para quem está a considerar uma experiência internacional, o testemunho deixa uma mensagem clara: sair da zona de conforto continua a ser uma das melhores formas de aprender sobre o mundo — e sobre nós próprios.



